sábado, 24 de fevereiro de 2018

Ex-istir

Não há noite.
Apenas uma sombra aconchegante no fim do dia.
Não há presença.
Apenas uma brincadeira chamada saudade.
Não há virtudes.
Apenas escolhas feitas por acaso.
Não há vontade.
Apenas a inércia que teima em existir.

Arthus Nunes


segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Descoberta

Do susurro ao arrepio
Do arrepio ao encanto
Do encanto o sentir
Precedendo todo pranto.

A tua pele me seduz
O teu cheiro, enlouquece
O teu toque, fascina
O teu beijo, entorpece

O externo conquistas
O interno estremece
O impossível acontece
Apaixono-me inteiro.

Tuas poucas palavras
Levaram-me de mim
Era eu apresentado
Ao inevitável fim.

Arthus Nunes


domingo, 20 de agosto de 2017

Aprendizado

Procurando viver
Consegui relembrar
Amargo exercício
Tentar Escrever

Saber Discernir
Quando ceder
Como Persistir
Finalmente aprender

A mente Esforçar
O corpo Contorcer
O coração Relutar
A alma Convencer

Arthus Nunes

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

2:00h AM


Na calada da noite encontrava-se indeciso sobre que caminho tomar. Não sabia bem qual a melhor  forma de torna-la produtiva. Entre encontrar-se com O Engenhoso Fidalgo, acalentar-se ao embalo da madrugada, ouvir canções de outrora ou contar historias em uma frase. Desistiu. Resolveu escrever sobre o agora. Não conseguia dormir pensando em tudo ao seu redor, não queria que o seu inconsciente imaginário tomasse o lugar da consciência produtiva, embora fosse muito mais talentoso, não importava. Precisava de algo mensurável, transferir sua sensação para o papel com apenas um compromisso, ser sincero consigo e  não deixar o desejo pelo nada superar  a necessidade de viver. Sentia a força esvair-se no momento em que tentava fazer a diferença, sê-la. Com os olhos pesados e o zumbido do inseto não mais incomodando percebeu lhe restar pouco tempo, aquelas poderiam ser as ultimas palavras. Respirou fundo, concentrou toda sua força nas pálpebras e nos dedos, olhou para o futuro inconsciente e vendo beleza entendeu que esse era o momento, a interseção, o ponto de partida, onde a consciência produzia o que a inconsciência compunha e sendo completo entregou-se.


Arthus Nunes

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Raíz

Por mais superficial que seja, uma árvore precisa de raizes para se manter de pé.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Do caminhar



Para coração.Para de incomodar de doer.
Só não para de amar muito menos de bater
Segue teu ritmo sem vacilar, melhora.
Faz teu papel para mostrá-lo mundo afora.

Seja meu mais que parte,faz-se todo
Bombeia minha vida adiante
E sempre que me abater , for  um tolo
Bate mais forte e brada: Levante!

Arthus Nunes

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Comigo

Fecho os olhos nesse breve momento onde tudo tem a permissão de não ser, não existir, não incomodar. Respiro sentindo aromas e cores nunca antes provados, enchendo novamente os pulmões de significados inimagináveis. Sem a cobrança nossa de cada dia sinto-me leve,  quase a flutuar. O vento traspassa a minha face de uma maneira tão suave que penso nem estar ali. Ou melhor, não penso, não sou, só sinto. sem a minima pretensão de planejar, calcular, construir ou vislumbrar nada alem do agora. E ai o pronome pessoal me toma de assalto, obrigando-me a perceber que estou vivo e que tudo não passou de um breve e invejado momento de inconsciência.

Arthus Nunes

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Capítulo 1 - Destino da viagem.

Resolvi ir a Lugar Algum, consultei o mapa do desencontro  e vi que precisava tomar um caminho estranho. Primeiro passei pela Travessa da Solidão, encontrei várias pessoas por lá, um engarrafamento de necessidades, pessoas convenientemente acomodadas e outras que acabaram la sem saber como nem por que. Decidi seguir em frente com o o meu objetivo. Dobrei a direita na Esquina do Esquecimento, estava muito iluminada(ao contrario do que muitos pensam) tão iluminada que não dava para ver nada e quase perdi a entrada da Rua dos Nomes, toda sorte de nomes havia lá, tantos nomes que ninguém os ligava a nada e assim se tornavam só palavras tristes sem a função para a qual foram criados, não é atoa que só usavam símbolos para informar e sinalizar o que quer que fosse, e assim consegui achar a Avenida da Saudade , a maior Avenida que se possa imaginar, não era graduada em km e sim em Ano-Luz esburacada, escura e triste. Quisera eu que o mapa apontasse outro caminho, mas era preciso passar por lá, era o único caminho.Continuei resoluto sem cansar, não poderia ficar parado se quisesse chegar a Lugar Algum e logo vi que não seria fácil e teria que prestar bem a atenção pois no caminho para Lugar Algum se não tiver cuidado a gente termina se perdendo.

Arthus Nunes

sexta-feira, 30 de março de 2012

Da prova que não morri

Aqui estive
Aqui Senti
Aqui lembrei
Aqui tentei
Aqui escrevi
Aqui me derramei
Aqui menti
Aqui me enganei
Aqui me engasguei
E a prova que querias?
Está AQUI.

Arthus Nunes

quarta-feira, 20 de julho de 2011

"Eu não sou bem um poeta. Minha vida é que é cheia de hiatos de poesia."

"Eu não sou bem um poeta. Minha vida é que é cheia de hiatos de poesia!"

"Eu não sou bem um poeta. Minha vida é que é cheia de hiatos de poesia!!"


Joaquim Cardoso

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Rotina!?

7:00 a.m. - Escava, procura, remexe tudo atrás de algo belo o suficiente para ser mostrado, lido, devidamente apreciado.
5:00 p.m. - Não encontra.
5:10 p.m. - Volta pra casa frustrado pela falta de produtividade do dia-vivo. Anotação: Matar o tempo na esperança que o dia morto seja mais produtivo.
5:20 p.m. - Esquece.
5:30 p.m. - Depara-se com uma de suas partes a andar em sua direção, sorrindo, cambaleante, seu filho. Beija sua mulher.
6:00 p.m - Entende.
11:00 p.m - Dorme feliz na esperança de que algum dia, vivo ou morto, possa competir com aqueles minutos de alegria cambaleante.

Arthus Nunes

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Falta.

Engraçado como o nosso inconsciente tem a habilidade de tentar nos compensar daquilo que sentimos mais falta. Relativamente óbvio porque se algo lhe falta você pensa naquilo, sente a falta. O interessante é como ele compensa e quando. Tenho sentido falta dos meus amigos, embora não pense nisso o tempo todo, é um fato. E eu não simplesmente sonho com um bela reunião onde todos estão juntos e felizes, o que seria irreal, e talvez não trouxesse o sentimento de satisfação. Quando estava em Recife a reunião e contato com essas pessoas que escolhi para fazer parte de mim era o que me sustentava por estar longe das outras partes de mim. Hoje , feliz por estar completo, sinto a falta daquela sustentação nos dias de stress e dificuldade.


Arthus Nunes 07_04_11

quinta-feira, 17 de março de 2011

Escolho meus amigos pela pupila

(Oscar Wilde)

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.

A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.

Para isso, só sendo louco! Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.

Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.

Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois ao vê-los loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.


Oscar Wilde

sexta-feira, 4 de março de 2011

Dos Lados (Parte 3)

Deixei de lado o preconceito e falei, rimando ou não, fui o que sou sempre, imperfeito. Repetindo sempre ou deixando de lado o refrão. Assim vi vários lados. Poeta, amigo, pai , irmão. E não quis restringir a prêmios dados o valor de cada um. Voltar a ser é sempre bom...


Arthus Nunes

Dos Lados (Parte 2)

Por não saber o que falar mostrei os lados.
Por não ter o que mostrar falei de mim.
Por não ter o que falar fiquei calado.
E mudo, vi tudo claro enfim.

Saber onde se estar é coisa rara.
Saber e não se estar coisa ruim.
Entender o que se quer é necessário.
Para se viver pleno assim.

De pleno a poeta fui num instante
sem nem mesmo precisar entender
Estar com quem se ama foi bastante
Para me reensinar a escrever.


Arthus Nunes

Dos Lados (Parte 1)

Longe de tudo, longe de nada.
Perto de tudo , perto de mim.
Fora de tudo, dentro de mim.
O que importa tudo quando se tem nada!?

Vencedor de nada, esquecido de tudo.
Lutando contra o vento, aflito, moribundo.
Voando baixo em abismo profundo.
Não se conta vitórias lembrando de nada.

Sabendo pousar aprende-se tudo.
Sabendo-se tudo aprende-se nada.
O não saber é um escuro submundo.
E o Tudo um belo nada.

Arthus Nunes

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Palavra, objeto de não ser.

Esqueci meu caderno, os rascunhos salvos aqui não me atraem. Vejo-me diante do desafio de criar algo novo. Um novo lampejo, nova ideia. Talvez nem nova precise ser, apenas desta vez documentada. Afinal o ato de escrever é tentar fazer com que as palavras não morram, nem sejam levadas pelo vento a lugares desconhecidos.
São poucas as palavras que queremos esquecer, como são poucas as que queremos publicar. Só desejamos esquecer palavras quando foram proferidas erradamente, a alguém ou em um momento inoportuno, fora isso a ideia de não saber o que foi proferido angustía.
Palavra, objecto de não ser. O "Tudo" a mesma distancia do "nada" (duas sílabas). Transformar,transcrever ,transparecer( o verdadeiro ou o incerto) capacidades ilimitadas no simples ato de comunicar-se.
Na falta de como saber encerrar o texto a funcionária da biblioteca toca meu ombro dizendo: "O horário da biblioteca virtual já encerrou ta!?"
E só me resta tempo para Assinar e clicar "Publicar postagem".

Arthus Nunes

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Já não somos mais os mesmo seis, nem seis sei se somos mais. Ficaram algumas partes pelo caminho, parte de alguem que não encontrou seu caminho, metade de alguem que perdeu o bjetivo, parte de alguem que está longe de suas outras partes, parte de alguém perdido e outras duas partes que teimam em evoluir. Seis almas. Seis vidas. Seis partes de algo que não sabem.


Arthus Nunes

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Do retorno

Voltei!

Não como queria, mas como precisava. Abrupto, direto, emocionado, quente e sem luz exterior.

Um dia entendermos.


Arthus Nunes

terça-feira, 8 de junho de 2010