quinta-feira, 7 de abril de 2011

Falta.

Engraçado como o nosso inconsciente tem a habilidade de tentar nos compensar daquilo que sentimos mais falta. Relativamente óbvio porque se algo lhe falta você pensa naquilo, sente a falta. O interessante é como ele compensa e quando. Tenho sentido falta dos meus amigos, embora não pense nisso o tempo todo, é um fato. E eu não simplesmente sonho com um bela reunião onde todos estão juntos e felizes, o que seria irreal, e talvez não trouxesse o sentimento de satisfação. Quando estava em Recife a reunião e contato com essas pessoas que escolhi para fazer parte de mim era o que me sustentava por estar longe das outras partes de mim. Hoje , feliz por estar completo, sinto a falta daquela sustentação nos dias de stress e dificuldade.


Arthus Nunes 07_04_11

quinta-feira, 17 de março de 2011

Escolho meus amigos pela pupila

(Oscar Wilde)

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.

A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.

Para isso, só sendo louco! Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.

Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.

Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois ao vê-los loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.


Oscar Wilde

sexta-feira, 4 de março de 2011

Dos Lados (Parte 3)

Deixei de lado o preconceito e falei, rimando ou não, fui o que sou sempre, imperfeito. Repetindo sempre ou deixando de lado o refrão. Assim vi vários lados. Poeta, amigo, pai , irmão. E não quis restringir a prêmios dados o valor de cada um. Voltar a ser é sempre bom...


Arthus Nunes

Dos Lados (Parte 2)

Por não saber o que falar mostrei os lados.
Por não ter o que mostrar falei de mim.
Por não ter o que falar fiquei calado.
E mudo, vi tudo claro enfim.

Saber onde se estar é coisa rara.
Saber e não se estar coisa ruim.
Entender o que se quer é necessário.
Para se viver pleno assim.

De pleno a poeta fui num instante
sem nem mesmo precisar entender
Estar com quem se ama foi bastante
Para me reensinar a escrever.


Arthus Nunes

Dos Lados (Parte 1)

Longe de tudo, longe de nada.
Perto de tudo , perto de mim.
Fora de tudo, dentro de mim.
O que importa tudo quando se tem nada!?

Vencedor de nada, esquecido de tudo.
Lutando contra o vento, aflito, moribundo.
Voando baixo em abismo profundo.
Não se conta vitórias lembrando de nada.

Sabendo pousar aprende-se tudo.
Sabendo-se tudo aprende-se nada.
O não saber é um escuro submundo.
E o Tudo um belo nada.

Arthus Nunes

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Palavra, objeto de não ser.

Esqueci meu caderno, os rascunhos salvos aqui não me atraem. Vejo-me diante do desafio de criar algo novo. Um novo lampejo, nova ideia. Talvez nem nova precise ser, apenas desta vez documentada. Afinal o ato de escrever é tentar fazer com que as palavras não morram, nem sejam levadas pelo vento a lugares desconhecidos.
São poucas as palavras que queremos esquecer, como são poucas as que queremos publicar. Só desejamos esquecer palavras quando foram proferidas erradamente, a alguém ou em um momento inoportuno, fora isso a ideia de não saber o que foi proferido angustía.
Palavra, objecto de não ser. O "Tudo" a mesma distancia do "nada" (duas sílabas). Transformar,transcrever ,transparecer( o verdadeiro ou o incerto) capacidades ilimitadas no simples ato de comunicar-se.
Na falta de como saber encerrar o texto a funcionária da biblioteca toca meu ombro dizendo: "O horário da biblioteca virtual já encerrou ta!?"
E só me resta tempo para Assinar e clicar "Publicar postagem".

Arthus Nunes

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Já não somos mais os mesmo seis, nem seis sei se somos mais. Ficaram algumas partes pelo caminho, parte de alguem que não encontrou seu caminho, metade de alguem que perdeu o bjetivo, parte de alguem que está longe de suas outras partes, parte de alguém perdido e outras duas partes que teimam em evoluir. Seis almas. Seis vidas. Seis partes de algo que não sabem.


Arthus Nunes